A sua identidade não é o seu diploma nem seu cargo profissional. Se você nasceu no Brasil, assim como eu, deve ter crescido acostumado a se apresentar como: oi, eu sou a fulana, jornalista há xx anos…
Até meus 20 poucos anos eu também achava normal que isso acontecesse, até me mudar para Austrália e perceber que aqui a gente nem se quer sabe a profissão dos nossos amigos. Quantas vezes você estava em uma roda e perguntou o que eles fazem? Eu mesma preciso contar nos dedos as vezes que falamos sobre.
Socialmente falando, Brasil e Austrália tem uma diferença imensa, e não é esse ponto que quero chegar. Claro que com salários mais equânimes estamos diante de uma sociedade que tem alto poder de compra (australianos), mas que aparentemente não liga nem se alguém vai de pé descalço no mercado. E isso afeta sim nossa cultura.
No Brasil, precisamos correr muito atrás de uma boa educação caso queiramos ser considerados “alguém” no futuro, pois lá a disputa por posições define a população.
Só quis trazer essa informação pois essa semana passei por uma situação digamos que constrangedora. Estou atrás de um fotógrafo para o aniversário do meu filho que vai acontecer no Brasil e recebi a indicação de uma moça.
Entrei em contato com ela, ela me passou valores, etc. Agradeci. No dia seguinte, questionei sobre os filtros das fotos que ela usa, se varia conforme o evento ou se eles tem um padrão de filtro, e a resposta me deu um tapa na cara, ela me disse assim: “A identidade do meu trabalho foi construída ao longo dos mais de 10 anos como fotógrafa, então como expliquei antes, você vai receber as fotos dentro do padrão de cor e luz apresentado em meu portfólio”.
Eu não sei vocês, mas para mim, atendimento ao público é 80% do serviço que contrato. Agradeci e me retirei. Não porque a moça não tem qualificação suficiente – até acredito que tenha. Mas porque aqui, onde moro e com o conhecimento cultural que tenho o privilégio de conhecer hoje, carteiraço nenhum vende serviço.
Para mim, você pode estar começando agora e ter alto potencial, ter visão, ter atendimento e conquistar seu público mesmo sem nem se quer ter portfólio.
Isso foi algo que aprendi com a Austrália, a valorizar a experiência em vez do currículo, por isso que a maioria das empresas pede “trials” antes de contratar e basicamente ignora os grandes resumes.
Não é o que você diz. Mas sim o que você faz e como você age.
Respondendo a minha própria afirmação do início deste texto, posso hoje dizer que a sua identidade não é algo que se constrói aos poucos, tentando descobrir “quem você é” através de conquistas, diplomas ou aprovação, ela já estava firmada antes de você sequer nascer. Isaías 49:1 mostra isso: Deus me chamou pelo nome enquanto eu ainda estava no ventre, antes de eu ter feito qualquer escolha, antes de eu ter qualquer história pra apresentar. Deus já pôs, desde antes de eu nascer.
Então antes de hoje eu te falar prazer, Kyane, jornalista há mais de 10 anos, eu te digo: Kyane, filha do Deus vivo. Posso andar descalça pelas ruas da Austrália, mas tem uma coisa que ninguém vai me tirar. A minha identidade firmada em Cristo e quem ele me chamou pra ser aqui nessa Terra.
“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.” (Filipenses 2:3).
By the way, eu to nem aí para a sua profissão. Vamos ser amigos?