O significado de “nasce uma mãe, nasce uma culpa” nunca fez tanto sentido como agora. Eu poderia trocar a palavra culpa por medo, mas como creio que no amor não há medo, vamos manter assim.
Nós já somos mães antes mesmo do bebê nascer. Na gravidez, os primeiros pensamentos intrusivos começam quando: “tomei horrores de café e não sabia que tava grávida, se acontecer qualquer coisa, a culpa é minha”. As primeiras 6 semanas chegam e com ela os enjoos, e você “caraca, não está legal, será que vou odiar estar grávida? Mas eu sempre desejei isso.” Culpa.
Passam-se os meses e você começa a se questionar sobre tudo: e se eu parar de treinar e atrapalhar o futuro do meu bebê por isso? E se eu continuar treinando e ele nascer prematuro? Culpa.
O bebê nasce e você decide dar chupeta. “Ah, mas no futuro você não vai conseguir tirar dele mais”. Dentes tortos, e a culpa vai ser de quem? Minha. E se não der, e o bebê passar horas chorando? Noites e noites sem dormir? Culpa.
Eu poderia citar inúmeras situações que me ocorreram nesses 9 meses de gravidez mais 7 meses de pós parto, mas hoje entendi que a culpa nada mais é do que aquilo que a sociedade impõe e nossa mente condiciona a pensar que estamos 100% erradas.
Temos acesso a todo tipo de informação, que no passado nossas mães e avós não tinham, o que nos leva a achar que tudo que fazemos está sempre a ponto de receber uma crítica em algum post de coach no Instagram. Ou pior – no famoso grupo de mães – onde todas ja tem experiências diferentes daquela que você ta vivendo.
Bom, eu queria estar escrevendo aqui que a culpa já não me persegue mais, mas a verdade é que cada novo ciclo que nosso bebê entra, temos algo novo para nos questionar.
Hoje aqui em casa está sendo o fato do meu filho não dormir a noite toda no bassinet e termos que colocar ele para dormir no meio de nós.
Meu marido ama dormir na presença do nosso filho e faz questão de pedir que compartilhemos a cama toda vez que ele chora no bassinet. Peraí, mas com 7 meses já tem filho dormindo no próprio berço, como que ainda o seu não está? Pois é. Aonde foi que eu errei? Na minha cabeça, esperaria os 6 meses fecharem, ele iria no dia seguinte para o seu quarto sozinho, dormir no seu berço a noite toda, e todos seríamos felizes.
Mas a verdade é que assim como nós precisamos de adaptação para tudo, um bebê também precisa. Tentei por duas noites seguidas deixar ele até a manhã do dia seguinte no bassinet e o resultado foi desastroso. Ninguém dormiu. Meu marido foi trabalhar com poucas horas de sono, eu também. O bebê irritado. Por mais que na minha cabeça a fórmula funcionaria, a realidade é que desistimos. E no dia seguinte lá estava ele no meio de nós novamente. Sono dos anjos. Sim, escolhemos nossa paz e nossa noite de sono um pouco menos interrompida.
Tenho muitas amigas mães e, acredite, TODAS que eu conversei tiveram opiniões extremamente diferentes, pois cada uma vive uma realidade completamente diferente. Mesmo todas com filhos iguais a mim.
Tem a mãe que dorme no quarto do filho, enquanto o pai dorme com o outro em outro quarto, tem a mãe que deixou chorar por uma semana até conseguir dormir sozinho no berço, teve outra que buscou ajuda e foi a uma clínica de sono para bebês. Tem a mãe que dorme com a filha até hoje. E tem a outra que com 4 meses já conseguiu colocar sua bebê no berço. E todas elas, a mesma pergunta direcionada a mim: o que funciona para VOCÊ?
Pois bem, aqui estou eu me sentindo culpada por mais uma noite ter falhado e já saber que irei colocar meu filho pra dormir comigo. Ao mesmo tempo que: aqui estou eu feliz, pois irei dormir cheirando minha cria e sei que esse tempo NUNCA mais vai voltar, e por mais que hoje pareça difícil, amanhã vai ser só uma saudade do que já passou.
Então fica a reflexão para nós mães. Vamos parar de nos comparar com o mundo ao nosso redor? Nosso filho é único, terá uma experiência única dentro da nossa casa, e a disciplina e educação dele, seja referente a rotina ou qualquer outra coisa, só cabe aos pais saberem. Ninguém mais.
Então, pelo menos hoje, que essa culpa vire um consolo para te dizer: você está fazendo o seu melhor para o seu bebê.