O tema de hoje é o que eu chamo de meritocracia profissional. Você acredita nisso? Não no sentido de julgar quem não venceu, mas no sentido de que esforço e fé andam juntos quando se trata de colher resultados.
Estava eu no hospital essa semana, com bastante tempo até ser atendida, refletindo com uma amiga sobre como há pessoas que esperam resultados sem antes lembrar dos esforços. Foi ali que decidi, enfim, escrever esse texto que já rondava minha cabeça há um tempo.
Começo citando o meu exemplo de quando cheguei na Austrália. Haviam trabalhos disponíveis por $15 por hora na época, que era um valor baixo, e que lembro de estudantes que conheci recém chegados dizerem “não saio de casa por menos de $20”.
Pois bem. Eu saia. Por qualquer $15 que aparecia de trabalho eu estava pegando. Atravessava a cidade de trem se fosse preciso para limpar uma loja do outro lado da cidade, perdia mais tempo no trem do que de fato no trabalho, para ganhar míseros $15. De $15 em $15, eu conseguia pagar meu aluguel e comer. Nunca me faltou dinheiro, nunca precisei pedir emprestado a ninguém.
Muitos bicos depois, consegui um outro emprego que me pagava $17 na qual pude ficar 5 anos. Nele, conseguia ter tempo para estudar e me formar na pós graduação e ainda começar meu pequeno negócio, que dali eu sairia para empreender. Esses cinco anos não vieram de sorte. Vieram de cada $15 que eu não recusei antes.
E é aí que entra minha fé: eu, como crente, creio de verdade que Deus, com toda a sua graça, abre portas para nós e nos abençoa com grandes milagres. Mas eu também creio que ele não nos deixa esperando a benção sentada no sofá sem mover uma palma. Se quisermos a medalha final, temos que correr a maratona. Deus nos dá os tênis.
Eu acredito na bondade de Deus e no que ele pode fazer na nossa vida. Mas eu acredito também em meritocracia profissional. Acredito que muito esforço traz grandes recompensas. Não acredito em sorte. Acredito em batalhas vencidas.
Eu também já reclamei da vida, todo mundo já esteve nesse lugar em algum momento. O perigo é viver ali, em um círculo de lamentação onde nos fazemos vítimas da própria história.
As circunstâncias mudam sempre na nossa vida, mas a nossa mente é o que determina o lado que vamos seguir: de ficar nos lamentando ou de analisar o que tenho nas mãos hoje que possa me tirar do lugar onde estou.
Deus abre a porta. Mas somos nós que damos o primeiro passo. E se for preciso atravessar a cidade inteira de trem por $15, que seja. Um dia, esse $15 vira $17. E o $17 vira o negócio que você sempre quis ter. Não espere a sorte. Corra a maratona. Os tênis já foram entregues.